Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) excepcionalmente no meio escolar e familiar muitas vezes é visto e definido como sinônimo do aluno e filho mal educado, pouco inteligente e outros adjetivos nem um pouco indicados para pessoas portadoras desse distúrbio. Esse distúrbio é mais  freqüente do que professores e pais acreditam, é comum como profissionais encontrarmos sujeitos portadores de TDAH, portanto é de “praxi” estar conscientes para lidar com essa particularidade.

         Com base nessa particularidade do sujeito é fundamental o nosso papel como Psicopedagogo frente a esta situação, uma vez que é indispensável um olhar especial para devolver ao sujeito seu desenvolvimento cognitivo bem como o afetivo. Durante nosso trabalho de pesquisa e atuação, foi comum nos depararem com inúmeros casos envolvendo distúrbios e dificuldades de aprendizagem, porém, o TDAH é de fato o mais corriqueiro; nesse sentido a problematização deste trabalho é de como melhorar o entendimento do TDAH entre a família e a escola nos anos finais do ensino fundamental, e assim sendo nosso objetivo principal é demonstrar a importância da compreensão sobre o TDAH no âmbito familiar e institucional/escolar.

                        Aprofundamos o tema com objetivo de entender o mundo da criança com TDAH, neste circulo família/escola, preparamos nosso trabalho de uma forma a definir o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem hiperatividade, identificando e analisando a proposta de um tratamento.

                        Devido à escola ser um organismo vivo onde professores e alunos estão frente a frente com o TDAH, abordaremos a difícil vida acadêmica deste adolescente bem como seu mundo lado a lado com seus familiares e professores.  

                        As Dificuldades de Aprendizagem do aluno com TDAH esta associada diretamente a necessidade de Avaliação e Intervenção Psicopedagógica, visando oferecer ao sujeito condições de mais igualdade no contexto em que vive.

                        Apontaremos aos educadores condições de intervir positivamente às necessidades de seus educando.     

                        Portanto, temos como objetivo mostrar neste trabalho, com o conhecimento de autores referenciados a importância do aprofundamento do tema e a conscientização da necessidade de se compreender os portadores de TDAH.  

Definições do transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade.

Existe uma discordância quanto à origem do TDAH, se é um distúrbio cerebral biológico ou uma resposta comportamental a certos ambientes. Considerações como lesão cerebral mínima e disfunção cerebral mínima, são apenas algumas das formas utilizadas para categorizar crianças que manifestam o distúrbio. Os primeiros diagnósticos tinham uma conexão com problemas neurológicos, pois se comparou ao fato de que crianças e adultos que tinham sofrido alguma lesão no cérebro mostravam-se freqüentemente impulsivas, hiperativas e facilmente se distrai. Porém, não é mostrada nenhuma deficiência neurológica, nem existência de uma doença óbvia no quadro da criança com TDAH.

Nas palavras de Olívio Porto (2011 p. 69,70).

Historicamente o diagnóstico de TDAH dificulta-se em virtude das discordâncias sobre sua natureza: um distúrbio cerebral biológico ou uma resposta comportamental a certos ambientes, tais como: escola ou outras situações onde foram colocadas demandas sobre a criança. A falta de concordância sobre a definição do TDAH também contribuiu para a controvérsia. Conceitos, tais como: lesão cerebral mínima e disfunção cerebral mínima, são apenas alguns dos termos que foram utilizados para categorizar crianças que manifestam o distúrbio. A maioria dos primeiros termos associados aos diagnósticos tinha uma conexão com problemas neurológicos. Isto deveu-se em parte ao fato de que crianças e adultos que tinham sofrido algum tipo de lesão cérebro mostravam-se freqüentemente impulsivas, hiperativas e facilmente distraíveis. Entretanto, nenhuma deficiência neurológica tem sido demonstrada para a maioria das crianças com TDAH, nem existe qualquer doença óbvia. Ao longo do tempo, o foco de atenção mudou para o problema apresentado por estas crianças: desatenção, impulsividade, e hiperatividade. O TDAH deve-se ao fato de ele está diretamente relacionado a escola. É, muitas vezes, o responsável pelo baixo rendimento escolar, que ocasiona repetências e problemas sérios de aprendizagem.

A evolução cronológica deste transtorno pode ser abrangida desde quando nota-se no bebê um temperamento difícil, problemas de ajustamento e situações novas, coordenação motora pobre dentre outros fatores, na educação infantil a criança se apresenta inquieta, desobediente, propensas a acidentes, não colaboram em atividades em grupo e tem uma interação contraproducente com a mãe.

A origem do TDAH vem de uma alteração neurológica que se manifesta inicialmente na conduta da criança, observa-se uma alteração no padrão de funcionamento do cérebro, o lobo frontal, o qual é responsável pelas funções executivas, ou seja, uma inabilidade de autocontrole.

De acordo com Barkley (1982) citado por Camañes, Garcia e Méndez (2008, p.2) aduz que o TDAH,

É uma alteração do desenvolvimento da atenção, da impulsividade e da conduta governada por regras (obediência, autocontrole e resolução de problemas), que se inicia nos primeiros anos do desenvolvimento; é significativamente crônica e permanente na sua natureza e não pode ser atribuída ao atraso mental, surdez, cegueira ou algum outro déficit neurológico maior ou a outras alterações emocionais mais severas, como a psicoseou o autismo, por exemplo.

O TDAH, afeta 4% de meninos e pouco menos de 2% de meninas e de que é muito mais prováveis alunos serem indicados para avaliação de TDAH que as alunas, mesmo quando os dois sexos exibem os mesmos sintomas. De acordo com (Goldstein, 1994) pesquisas mostram que a hiperatividade é aproximadamente cinco a nove vezes mais freqüente em meninos do que em meninas, estes estudos indicam que meninas hiperativas têm mais problemas de humor e emoção e menos problemas de agressão que os meninos hiperativos.

 

Neste mesmo sentido (Riley, 2011) também concorda que a origem. Parece ser em grande parte genética, com hereditariedade de 60 a 90% em vários estudos entre gêmeos idênticos. Vários indícios mostram diferenças físicas de um cérebro de TDAH e um cérebro não TDAH, há diferenças do tamanho do hemisfério direito e nos tecidos que ligam os dois hemisférios do cérebro.

Bonet Camañes (2008, p.10) faz uma breve descrição das principais manifestações do transtorno hiperativo,

1.         Hiperatividade: é um excesso de atividade em relação à idade e às exigências do entorno.

2.         Déficit de atenção: problemas para focalizar a atenção nos estímulos durante um tempo suficiente.

3.         Impulsividade: dificuldade no controle de impulsos.

4.         Dificuldades de autocontrole: problemas para exercer controle sobre si mesmo e suas atividades.

5.         Estilo cognitivo característico: são sujeitos assistemáticos que não planejam as suas atividades e são pouco estruturados etc.

6.         Dificuldades para obter recompensas posteriores: precisam de satisfação imediata, de modo que os prêmios e castigos atribuídos no futuro não são úteis.

7.         Inabilidade motora: com freqüência, são consideradas crianças pouco hábeis, apresenta dificuldades na coordenação de movimentos, o que acarreta tropeços freqüentes ou quedas de objetos de suas mãos.

8.         Relações sociais problemáticas: as dificuldades apresentadas repercutem e dificultam as relações sociais da criança. As crianças com TDAH não aprendem por ensaio e erro, o comportamento agitado e pouco reflexivo, traz a agressividade e a rejeição de colegas.

9.         Dificuldades de aprendizagem: todas as áreas são afetadas devido a constantes atrasos escolares.

Torna-se necessário fazer três classificações referentes ao transtorno: tipo com preponderância de déficit de atenção, ou, seja, predominam os sintomas de déficit de atenção, e os sintomas de impulsividade-hiperatividade são leves ou não ocorrem; tipo com preponderância hiperativo - impulsivo, onde predominam os vários sintomas de hiperatividade-impulsividade com poucos (ou nenhum sintomas de falta de atenção) e tipo combinado, o que se alude a sintomas de falta de atenção, impulsividade e hiperatividade.

Na etapa escolar as dificuldades aumentam, pois existem problemas no rendimento escolar devido à falta de atenção, dificuldades em seguir normas e avaliar as conseqüências das próprias ações, a integração social é improdutiva, a criança se apresenta hostil muitas vezes com baixa auto-estima e tolerância a frustração.  O TDAH deve-se ao fato de que ele está diretamente relacionado à escola, TDHA, é responsável muitas vezes pelo baixo desempenho na escola, ocasionando a repetência e problemas sérios de aprendizagem.

Nas palavras de Alexandra P. de Queiroz Campos Araújo (2002, jornal de pediatria p.s107) os sintomas de TDAH são mais percebidos quando a criança encontra-se no banco escolar e quando afirma que,

Alguns sintomas do TDAH manifestam-se precocemente. Inquietude já no berço, pré-escolares com mais energia que os demais da faixa etária. Em geral, os sintomas se tornam mais evidentes ao ingresso na escola, por serem prejudiciais e menos tolerados neste ambiente.  Naqueles com predomínio de desatenção, o comprometimento do desempenho escolar ocorrerá na medida em que aumentarem a quantidade e a complexidade do material didático com a necessidade de maior memorização e atenção a detalhes.

TDAH é caracterizado por uma diminuição persistente na capacidade de atenção na conduta da criança, a constância e a severidade da impulsividade são significativamente acrescidas ao se comparar com demais indivíduos no mesmo ciclo de desenvolvimento. Estas condutas podem ser verificadas em diversas ocasiões e mantém durante toda a vida, porém na adolescência e na vida adulta algumas características como o excesso de movimentos e impulsividade tendem a diminuir, especialmente se houver a intervenção primária.

Para (Polanczyk, Denardin, Laufer, Pianca & Rohde, 2002) os profissionais que lidam com adolescentes freqüentemente relacionam o TDAH com uma patologia apenas de crianças pré-escolares e escolares, ignorando que este transtorno pode perdurar na adolescência e na idade adulta, provocando um prejuízo significativo no funcionamento global destas pessoas.

A dificuldade é mais durável e crônica durante a infância, pois não há cura e muitos dos problemas encontrados devem ser administrados durante o dia-a-dia desde a infância até a adolescência.

San Goldstein (1994, p.20) explica que,

É importante entender que a criança hiperativa apresenta as dificuldades mais comuns da infância, porem de forma mais exagerada. Para a maioria das crianças afetadas, a desatenção, a atividade excessiva ou o comportamento emocional irrefletido e impulsivo são características do temperamento. Este termo descreve um conjunto de qualidades inatas que vierem ao mundo com eles. Muitos pesquisadores acreditam que essas qualidades, que podem não ser hereditárias, sejam conseqüência de algum desequilíbrio da química do cérebro. Algumas crianças, entretanto, podem apresentar sintomas de hiperatividade como resultado de ansiedade, frustração, depressão ou de uma criação imprópria. Nosso interesse, aqui, é com a criança de temperamento hiperativo. Mais adiante, vamos discutir as diferenças entre estas crianças e aquelas com sintomas de hiperatividade que refletem outros problemas da infância.

Todo o limiar da criança é afetado pela distração, agitação, excesso de atividade, emotividade, impulsividade e baixo limite a frustração, o relacionamento social é prejudicado pelo estresse provocado pela conduta arredia e sem controle assim como no desenvolvimento escolar.

O cérebro da criança que apresenta TDA tem, um funcionamento bastante peculiar (Barbosa, 2009), que acaba por lhe trazer uma conduta típica, que traz consigo suas angústias e desacertos vitais como também suas melhores características.

De acordo com (Copetti, 2009) a atenção é a base necessária para todas as outras funções mentais, ou seja, a atenção funciona como o “fornecedor de energia” para as demais funções cognitivas, ela seleciona as informações vindas dos órgãos do sentido. A atenção não depende da vontade da pessoa, pois é possível afirmar que o controle da atenção é algo variável para cada pessoa e, na realidade, sua manutenção depende muito pouco da vontade consciente. Ainda segundo (Copetti, 2009) a Sociedade Americana de Psiquiatria, que publica o DSM, livro que relata as diretrizes diagnósticas das doenças psiquiátricas, mostra o déficit atenção como sintoma chave de uma doença conhecida, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade Impulsividade.

As crianças com TDAH acabam sendo encaminhadas para orientação psicopedagógica e psicológica com mais freqüência devido a serem impopulares e rejeitadas pelos colegas. È fundamental diferenciar o TDAH de simples inquietações da infância, com um diagnóstico médico, com dados da escola e um histórico familiar para então entrar em ação a ajuda terapêutica relata Drouet (1995) citado por Olivia Porto (2011 p. 70) aduz que,

As terapias entram em cena para ajudar crianças a se auto-valorizar e encontrar alternativas para se apitarem socialmente. O ludo terapia, a psicopedagogia, o psicodrama são técnicas utilizadas no tratamento de crianças hiperativas. Mudar de escola parece ser quase uma rotina para crianças hiperativas. E, assim como as estatísticas internacionais, as pesquisas regionais mostram que há uma parcela importante desse mal. Uma pesquisa em 180 colégios da Paraíba, entre 1994 e 1995, confirmou que 3,3% das crianças entre 6 e 12 anos sofrem de TDAH.

É importante estabelecer uma relação do TDAH e do comportamento explosivo, segundo ele as crianças com TDAH, embora muitíssimo criativas e imaginativas possa perturbar uma classe inteira, a impulsividade e a incapacidade de prever as conseqüências dos seus atos, as levam muitas vezes a explosões e alterações com os adultos.

As crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem e questões do processamento sensorial às vezes passam por uma grande frustração por não conseguirem fazer as tarefas escolares com aparente facilidade, é ai que muitas vezes são rotuladas como explosivas opositoras ou desafiadoras quando se recusam a participar nas atividades da classe, na verdade estão tentando proteger a própria dignidade, não expondo em público as fraquezas acadêmicas. É preciso tomar cuidado com os diagnósticos errôneos de TDAH, pois muitas vezes este transtorno é confundido o TPS (Transtorno de processamento sensorial), a criança com este sintoma têm um ou mais sentidos que reagem mais ou menos aos estímulos.  

Nas palavras de Douglas A. Riley (2009, p. 130) alguns aspectos são comuns em crianças, não indicando exatamente um TDAH, explica que,

Seja o que for o TDAH, trata-se de um termo errôneo. Não se passa um dia sem um pai me dizer que o filho pode ter esse problema, porque brinca com vídeo games durante horas. Eu, por mim, não gosto de ser “estraga prazeres”, mas sempre respondo que as crianças nesse caso sentem uma atração quase magnética para atividades visuais – computador, vídeo, mini games, cinema, Legos, construção em miniatura com toras de montar, blocos de madeira, desmontar coisas e (às vezes) remontá-las.

Na adolescência o problema tende a persistir com dificuldades no funcionamento adaptativo, social e emocional e apresentam uma sintomatologia depressiva como indicam. Na fase adulta são mais destacados os problemas de concentração e impulsividade, torna-se complicado para estes organizar e controlar as tarefas e o tempo, a capacidade é reduzida para desenvolver um trabalho sem supervisão de acordo com (Camañes, Garcia e Méndez, 2008).

As crianças que sofrem de TDAH é acima de tudo, processadoras visuais, cinéticas e manuais, prestam atenção a qualquer coisa, apresentada de forma verbal, inclusive o sermão dos pais, obriga-as a utilizar a ferramenta cognitiva mais fraca, estas crianças são “processadoras visual-cinéticas”, concentrando-se nas forças e não nas fraquezas delas, evitando a terminologia “transtorno” e compreendendo que os sintomas que apresentam não são facilmente controlados por eles.

Douglas A. Riley (2009 p.131) explica que,

É importante lembrar que esses sintomas fogem ao controle das crianças. As que são desatentas, desordeiras ou que se levantam e vagam pela sala de aula conseguem controlar o comportamento por breves períodos de tempo, mas não deixam simplesmente de ser desatentas e dispersivas, por maiores que sejam o treinamento ou as recompensas que oferecermos. Isso se deve ao fato de as forças motrizes do comportamento TDAH não parecerem motivacionais ou psicológicas. Ao contrário, parecem de origem neurológica. Um crescente corpo de indícios mostra que existem diferenças físicas entre um cérebro TDAH e um cérebro não TDAH, assim como no tamanho do hemisfério direito e nos tecidos que ligam os dois hemisférios do cérebro.

Atividades que são invariáveis ou “chatas” é um martírio para estas crianças, assim como casos que exigem um notável grau de organização e de empenho mental continuado e quando percebem cobranças excessivas por parte do meio. Os sintomas são amenizados consideravelmente quando estes indivíduos realizam atividades supervisionadas por outros indivíduos ou agentes socializadores, auxiliando-as e guiando-a em sua conduta.  É importante notar que nem todos os hiperativos se agitam muito, e nem todos aqueles que se agitam muito são hiperativos, geralmente a criança hiperativa se agita mais nos momentos em que mais carecem ficar quietas relata (Camañes, Garcia e Méndez, 2008). Nem todas as crianças que perdem a atenção são hiperativas, e nem todos os hiperativos tem dificuldades de prestar atenção o tempo todo, essas crianças são capazes de permanecer atentas em outras atividades que não exigem tanto esforço mental, como assistir a um filme, jogar videogame etc. Crianças com dificuldade de autocontrole e com ação explosiva nem sempre são hiperativas, mas todas as hiperativas agem desta maneira.

COMO IDENTIFICAR O TDAH E ANALISAR PROPOSTA PARA TRATAMENTO

Para se fazer um diagnóstico é preciso primeiramente esclarecer a diferença entre distúrbios e dificuldades de aprendizagem, pois muitos conceitos errôneos ocorrem pela interpretação incorreta destes termos relatam Carvalho; Crenitte e Ciasca (2007, p. 230),

No dicionário, verifica-se como distúrbio: como uma perturbação orgânica ou social, dificuldade: caráter de difícil, aquilo  que o é, o obstáculo, óbice, situação critica, e, aprender: tomar conhecimento de tomar algo, retê-lo na memória graças ao estudo, observação, experiência, etc. Não discutiremos aqui a questão da aprendizagem, mas não podemos deixar de citá-la, pois está envolvida neste processo, é uma palavra cotidiana, que muitos pronunciam com diversas variações e significados, onde, inúmeras definições são colocadas por diversos autores, onde cada segmento se refere às questões épicas, do momento da história do homem no seu processo de aprendizagem, todas de grande importância, pois nos permitem julgar, conhecer e compreender.

A dificuldade de aprendizagem esta ligada mais a um fator pedagógico relacionando a circunstancias interna e ambientais, exemplo: a família, fatores emocionais, motivacionais, relação professor-aluno, planejamentos escolares inadequados. Já o distúrbio esta ligado a aspectos orgânicos do sistema nervoso central, ou seja, há uma “falha” segundo Carvalho, (Crenitte e Ciasca, 2007) no desenvolvimento, sendo um aspecto mais funcional.

Alguns problemas da infância podem causar os mesmos fatores comportamentais e de desenvolvimentos que sugiram a hiperatividade, portanto nenhum fator isolado e nenhum conjunto de fatores definidos assinalam a possibilidade da presença da hiperatividade. Os pais relatam (Goldstein, 1994) primeiro devem separar o comportamento das causas e do diagnóstico, reconhecendo as características de seu filho que os deixam estressados e que os preocupam. O diagnóstico precisa ser feito por um ou mais profissionais familiarizados com tais comportamentos, estes precisam despender de tempo necessário para avaliar este sujeito.

Geralmente o TDAH é diagnosticado quando a criança começa a freqüentar a escola ainda que os sintomas já estejam presentes antes disto declaram os sintomas podem persistir na adolescência até a vida adulta. Em alguns casos, nota-se uma remissão na puberdade e sendo ainda mais provável na juventude. A remissão pode permitir uma vida adolescente ou adulta mais produtiva, relacionamentos interpessoais gratificantes e poucas seqüelas significativas, porém para a maioria destas pessoas a remição pode ficar bastante vulnerável ao distúrbio de personalidade anti-social e a outros distúrbios de personalidade e do humor.

Thomas W. Phelan,(2005, p.79) ensina que,

O diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção é repleto de armadilhas. A avaliação de TDA é diferente do diagnostico de problemas físicos em clinica médica ou mesmo do diagnóstico de outros tipos de dificuldades psicológicas. A primeira dificuldade é que não há um teste especifico para a detecção do distúrbio. Não há nenhum teste físico. Neurológico ou psicológico que possa provar ou refutar a existência do TODA. Seria certamente muito útil se existisse!

O diagnóstico da hiperatividade não pode ser baseado em um único problema afirma um questionário ou um rápido check-up, se a criança apresentar a ocorrência da maioria dos itens abaixo, já é razão suficiente para os pais procurarem assistência de um profissional pra determinar se o filho é hiperativo:

San Goldstein (1994, p. 33-36) aduz que,

Se seu filho está tendo problemas e a maioria das respostas para esses questionamentos é sim, você tem razão suficiente para procurar a assistência de um profissional para determinar se seu filho é hiperativo. Por outro lado, você não tem suficiente razão para acreditar que sua criança é hiperativa. O diagnóstico precisa ser feito por um ou mais profissionais familiarizados com comportamentos infantis. Essas necessárias para avaliar seu filho. Como explicaremos depois, o diagnostico da hiperatividade não pode ser feito baseado em um único problema um questionamento ou um rápido check-up.

A atenção é necessária para sermos conscientes de nossas sensações, pensamentos, afetos etc., além de ser fundamental para memória e, por evidentemente, para aprender.

Os problemas de atenção das crianças com TDAH são uma séria dificuldade para o contexto escolar, já que a exploração do entorno desses indivíduos é caótica, sem que haja objetivo e idéias específicos.

O sujeito não consegue selecionar a informação relevante (e ignorar os estímulos irrelevantes), não é capaz de se manter numa mesma atividade no tempo necessário para realizá-la e em reorientar-se a atenção para outro estímulo (Camañes, Garcia e Méndez, 2008) relatam que estes indivíduos “Percebem o bosque, mas não vêem as árvores”, portanto:

·                Não diferenciam o principal do secundário.

·                Não ficam atentas simultaneamente a diferentes estímulos.

·                Em provas costumam produzir um número significativo de respostas incompletas.

·                Problemas de compreensão do material.

·                Dificuldades para concluir tarefas no tempo adequado.

·                Dificuldade para compreender os próprios estímulos e ficar atenta a eles.

·                Dificuldades para perceber os detalhes.

Na impulsividade, a capacidade de inibir uma resposta pode ser severa as atividades cognitivas e sociais, são incapazes de esperar tempo suficiente para poder pensar e agir, sendo pouco reflexivas. O sistema de inibição de conduta (SIC) pode ter uma hiperatividade, que leva os indivíduos a cometerem muitos erros em atividades que exijam persistência na tarefa ou inibição da resposta durante determinado tempo explica Trinidad Bonet Camañes (2008, p. 26),

A impulsividade consiste na dificuldade no processo de inibição necessária para esperar (aguardar a vez na fila terminar de escutar a pergunta para responder, aumentar o tempo de resposta, deixar escapar comentários inapropriados etc.), impedindo o surgimento de opções adequadas para a situação (na solução de um problema, na decisão de qual roupa usar, em sair da sala de aula com tudo que lhe pertence etc.).

 

Como estas crianças não conseguem esperar, as freqüentes interrupções e o descumprimento das normas fazem com que sejam vistas como mal-educadas e ou rebeldes alertam. Elas não avaliam as conseqüências dos seus atos, são excluídas e ainda consideradas impertinentes e agressivas.

O hiperativo possui uma freqüência excessiva de atividade motora ou verbal com relação ao esperado para a idade e situação concreta na qual se encontra, tem uma pauta persistente de atividade excessiva naquelas situações que exigem inibição motora. Geralmente a hiperatividade é colocada em terceiro plano, pois as dificuldades de atenção e impulsividade estão ganhando muito mais importância, isso ocorre porque, dos três déficits, o excesso de movimento vai diminuindo a partir dos 12 anos e é o que repercute menos em longo prazo e também os procedimentos para avaliar a atividade motora e/ou verbal são inconsistentes para diferenciar o normal do inadequado.

San Goldstein (1994, p. 19, 20) ensina que,

A criança hiperativa representa um enorme desafio para pais e professores. As pesquisas sugerem que a hiperatividade pode ser o problema mais persistente e comum na infância. É persistente ou crônico porque não há cura e muitos problemas apresentados pela criança hiperativa devem ser administrados, dia a dia, durante a infância e a adolescência. É possível que os problemas resultantes da hiperatividade estejam entre as razoes mais freqüentes que justificam o encaminhamento de crianças com problemas de comportamento a médicos, psicólogos, educadores e outros especialistas em saúde mental.

Muitos pais só reconhecem a dificuldade do filho por intermédio do professor, nessas situações é importante que os pais reconheçam os seus direitos e obtenham o Máximo de ajuda de avaliação possível do serviço escolar. Deve-se pedir ao psicólogo da escola que observe o aluno em classe, entreviste-o, fale com o professor e se, possível aplique testes escolares e psicológicos.

Os membros da equipe da escola sugerem ao notar a criança hiperativa, que seja consultado um médico, com o intuito de que seja receitado um remédio, se isso acontecer os pais deve dizer que as pílulas não irão substituir o desenvolvimento de habilidades, embora o medicamento possa ajudar o hiperativo em algumas habilidades, uma variedade de problemas que acontecem na escola precisa ser trabalhada através de uma conduta efetiva e do desenvolvimento da habilidade. A consulta ao médico é uma etapa fundamental para a avaliação da hiperatividade e para condução de posteriores pesquisa de avaliação do diagnóstico, porém quando houver a indicação de um medicamento, deve-se supervisionar a intervenção medicamentosa. Concordando com o autor de que a medicação  não substitui o desenvolvimento de muitas habilidades do aluno com TDAH.

Trinidad Bonet Camañes (2008, p. 14) reforça a importância do preparo para a aprendizagem,

Assim como não se negam óculos a uma criança míope, não podemos negar um tratamento a uma criança com TDAH

Evidentemente, é imprescindível que nós, no papel de pais ou professores, disponhamos de ferramentas para ajudar a criança a adquirir, progressivamente, habilidades. Entretanto, o organismo tem que estar preparado para a aprendizagem, e isso, em muitos casos a medicação não pode oferecer. É como semear grãos de excelente qualidade em um terreno pouco preparado para a sua germinação. Em terreno baldio, nenhuma semente é boa

Devem-se notar outras causas da hiperatividade que podem ser tratadas pelo médico: hipertireoidismo, oxiurose, apnéia do sono, anemia por deficiência de ferro, efeitos colaterais de medicamentos tais como fenobarbital e drogas anti-alégicas. A hiperatividade esta relacionada com um problema que não pode ser curado clinicamente (Goldstein, 1994), tais como alguns aspectos do nascimento, danos cerebrais e, mais comumente, hereditariedade.

COMO AJUDAR A CRIANÇA COM TDAH?

É preciso, conhecimentos de todos os envolvidos sobre o TDAH, para não criar pré-conceito e ajudar efetivamente, o indivíduo que apresenta estes sintomas, ele precisa de normas claras.

Neste sentido entende-se que de normas claras e de uma rotina adequada como propõe Alexandra Prufer de Queiroz Araujo (2002, p. 108),

O tratamento do TDAH inclui orientação da família e da escola, um suporte com terapia especializada e uso de medicamentos. Desta forma, em casa, os pais devem estabelecer normas de comportamento bem claras e definidas, evitar castigar excessivamente a criança, fornecer espaço físico com poucos fatores de distração ( brinquedos, janela) para a execução dos deveres de casa, manter horários regrados (para refeições, para dormir, para os deveres, para a diversão).

A orientação pedagógica é fundamental, pois no caso dos transtornos de aprendizagem que podem estar associados ao transtorno de comportamento TDAH, é necessária uma terapia de suporte, e muitas vezes estes alunos podem precisar de testes diferenciados, onde uma pessoa possa ler estes, permitindo com que o aluno progrida academicamente.

Alexandra Prufer de Queiroz Araujo (2002, p.109) destaca os benefícios desta conscientização ao relatar,

O efeito sobre a vida do individuo, sobre sua família e a sua relação com a sociedade, teoricamente será maior quanto mais tarde às diferentes situações relacionadas à dificuldade escolar forem abordadas. O conhecimento de uma desordem crônica irremediável permite o preparo do ambiente familiar e social no sentido de propiciar ao indivíduo acometido a melhor qualidade de vida possível. O reconhecimento precoce de situações que necessitem de suporte favorece o inicio dos mesmos, antes que complicação emocional secundaria se instalem. A correção de problemas permite ao individuo o percurso de vida escolar em iguais condições que os demais.

A única forma de manejar o TDAH é tratar a causa das explosões, tarefa que se revela muito difícil, em vista da origem neurológica aparente, não existindo cura conhecida, a meta é tentar administrar os sintomas da criança prestando atenção nos gatilhos que fazem a mesma explodir, isso inclui um pensamento lúcido de recorrer à medicação, caso seja recomendável, e educação e treinamento dos pais e o filho.

 Douglas A Riley, (2009, p. 268, 269) aduz que,

À medida que intensificar a busca pelo que vem causando as explosões, talvez você descubra a existência de mais de um problema em ação, cada um passível de causar comportamento explosivo. O termo para isso é “comodidade”, e um exemplo é a criança que não consegue concentrar-se, fica deprimida e tem poucas aptidões sociais. A ocorrência concomitante de sintomas é surpreendentemente comum. Mais de um terço de crianças com TOC também tem TDAH; as com TOC em geral também sofrem de ansiedade, comportamento opositor ou depressão; a sobreposição TDAH e depressão ou TDAH e comportamento opositor pode chegar a até 56%; e as crianças com dificuldades de aprendizagem podem exibir quatro vezes mais problemas emocionais e comportamentais que as sem dificuldades de aprendizagem. Sabe-se que mesmo as que sofrem de alergia, você se lembra, também sofrem de índices muitos maiores de problemas emocionais, de aprendizagem e comportamentais, comparadas com outras crianças sem alergias.

 

Embora sua intuição o faça acreditar que algumas crianças com carga tão pesada de problemas emocionais, aparentemente se revelam impossíveis de tratar.

Muitas crianças, apesar de diagnosticadas, não são tratadas, ou são mal-tratadas com métodos impróprios sem nenhuma eficácia, hoje se sabe que tratamentos puramente psicológicos e psicopedagógicos não resolvem o problema se não for feito o uso de medicação adequada. As três melhores formas de tratamento do TDAH: o farmacológico, o tratamento dietético, e os de princípios terapêuticos. O tratamento farmacológico consiste em três alternativas: Psicoestimulantes (anfetamínicos, metilfenidatos e pemolinos), neurolépticos e antidepressivos tricíclicos. O tratamento medicamentoso é útil nos casos em que a manifestação do transtorno tem como sintomas principais a impulsividade, inquietação motora e distúrbios de atenção. No transtorno em que predominam a conduta anti-social ou agressiva, ou distúrbios de capacidade parcializada o efeito medicamentoso às vezes é insuficiente com possibilidade de efeitos colaterais.

Douglas A Riley (2009, p. 138-39) entende que,

Constato que hoje os pais ficam preocupados e desanimados, cada vez mais, ao serem informados que os filhos precisam de medicamentos. Embora não saiba disso necessariamente por uma pesquisa, sei por experiência. Como alguém que se sentam em uma cadeira diante de crianças e pais muitas horas por semana, impressiona-me ver quantos pais começam a conversa comigo declarando que, embora o filho acabe com um diagnóstico de TDAH, não querem ouvir falar de medicamentos. Em vez disso, buscam alternativas. Muitos deles, cujas crianças que utilizaram medicamentos, não gostam dos efeitos colaterais. Às vezes fazem as crianças parecerem abobadas, além de causar-lhes perda de apetite e interferir no sono. Como mencionei antes, as crianças podem se tornar irritáveis e explosivas quando os efeitos começam a passar.

No tratamento dietético, ingredientes artificiais de sabor, conservantes e corantes nos alimentos são vistos como fatores, se não causadores, reforçadores deste transtorno, tendo isto em vista são elaboradas dietas livres destas substâncias.

Já as terapias que mais mostraram avanço no tratamento do TDAH são as de psicoterapia e medicina comportamental, que se alicerçam na teoria behaviorista de reforço, onde os indivíduos são “recompensados” regularmente quando permanecem realizando uma atividade por um determinado período de tempo, o objetivo desta modalidade é treinar o indivíduo a controlar sua conduta.

Treinos de auto - instrução como o proposto por (Meichenbaum ,1979) citado por Facion (2004, p. 57) desenvolvem-se em três etapas,

·                A criança observa o pedagogo (a professora) realizando determinado trabalho, com calma e concentração (por ex., faz um desenho), comentando em voz alta suas atividades (“eu pinto agora devagar este canto”).

·                A criança é solicitada para efetuar e verbalizar a tarefa observada e verbalizá-la em voz alta da mesma maneira que a professora.

·                As auto-instruções faladas em voz alta são substituídas por uma tonalidade de voz cada vez mais reduzida, até que a criança seja capaz de estruturar sua atividade verbal em nível de pensamento.

É necessário avaliar detalhadamente a criança que já recebeu o diagnóstico de TDA (Copetti, 2009), se além dos sintomas na atenção, se esta também possui problemas na aprendizagem escolar, na coordenação motora, na fala, na linguagem, história de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (por exemplo, atraso no falar ou andar) e histórico familiar positivo para problemas de aprendizagem. As comorbidades são freqüentes no TDAH e, se não diagnosticadas, vão continuar causando problemas para o individuo e vão levar a tratamentos incompletos e ineficazes.

o ambiente escolar

A escola é um espaço relacional, é um sistema social, instituição ou organização complexa de um tipo especial. É um sistema social, pois pressupõe interação entre suas partes, é uma instituição, pois é um espaço onde se transmitem e recebem valores, onde se estabelecem rituais e convenções, é uma organização enquanto apresenta uma estrutura formal e informal.

Nas palavras de Maria Lúcia L. Weiss (2008, p.142) explica que,

A escola da forma mais adequada é pensada a partir das relações que percebo de aceitação ou negação, por parte dos pais, e das formulações feitas pela escola. Procuro sempre fazer a devolução para os pais juntos, evitando a situação, muito freqüente, em que “problemas escolares são com mãe e o pagamento das sessões com pai, ficando este sem engajamento afetivo com a situação. No caso de pais separados, quando não aceitam a hipótese de sessão conjunta, faço as duas sessões separadamente, deixando a critério de o paciente comparecer a ambas ou a apenas a uma, junto com quem preferir

Na escola devem ser considerados os aspectos psicossociais do processo ensino-aprendizagem, ou seja, devem ser considerados os aspectos, fatores, de relacionamento que dizem respeito ao atendente, seja com o meio amplo, com seus grupos de relação mais próximos ou consigo mesmo. Vários fenômenos psicológicos estão envolvidos: Comunicação, identificação social, assimilação, participação e controle.

Thomas W. Phelan, (2005, p. 35) ensina que,

Se maldosamente tentasse produzir um ambiente que deixasse uma criança com TODA louca todas as dias, provavelmente não conseguiria inventar nada pior do que a escola. A escola exige que o jovem não só fique parado, mas, também, que se concentre em temas que ele geralmente considera desinteressantes. Chatas é uma das palavras mais usadas por crianças com TODA para descrever a escola. Por causa de sua dificuldade com regras e com o autocontrole, a criança com TDA do Tipo Combinado é muitas vezes uma significativa força negativa na sala de aula.

A escola é um organismo vivo, que tem aliança e interage com a comunidade, respondendo as realidades sociais e políticas mais amplas. Este organismo reflete em seu dia-a-dia, as disfunções sócias culturais, pois ela que gera a transmissão de conhecimentos socialmente acumulados e capacita a mão de obra requisitada pelo mercado.

Na escola é comum identificar a presença de situações ambíguas como a colocação da escolarização enquanto direito ao lado da postura de exigência de aquisição de conteúdos, que traz a obrigação do aluno em aprender, outra situação é a completa proibição de questionamento e rebeldia frente a ordem sendo que o saber é visto como promotor de mudanças, ou seja, promotor da subversão de determinadas ordens.

Nas palavras de Olívia Porto (2011, p. 59) explica que,

As dificuldades de aprendizagem não são uma condição ou síndrome simples nem decorrem apenas de uma única etimologia, trata-se de um conjunto de condições e de problemas heterogêneos e de diversidade de sintomas e de atributos que obviamente submetem diversificadas e diferenciadas respostas clinico - educacionais.  Muitas das expressões da avaliação falharam ao supervalorizarem alguns dos atributos específicos do indivíduo com dificuldades de aprendizagem. Por outro lado, é estimulantes ver profissionais de muitas disciplinas envolvidos na investigação das dificuldades de aprendizagem é simultaneamente, perturbador observar tão reduzida intenção de dados e resultados entre eles. As investigações dos vários protagonistas tendem a ser paralelas, em vez de integradas, o que em si tende a uma fraca validade (descritiva e preditiva) em termos de relevância educacional.

São questionáveis posturas tidas como inquestionáveis pelos educadores e ao mesmo tempo ter o intuito de formar cidadãos autônomos e questionadores.

O termo subversão é tido como insubordinação ao poder estabelecido e recebe na escola (e não só na escola) conotação de “fora da lei”. A mesma ambigüidade ocorrida com o aluno surge com o professor onde é exigida competência e autonomia, de que não resultem em posicionamentos contrários aos padrões arraigados e em grande parte injustos, estabelecidos entre trabalhadores das escolas e instancias de maior poder. (Mossato, 2000)

A escola tem a tarefa de cumprir com a aprendizagem formal, ela é responsabilizada pra proporcioná-la e é para ela que são disponibilizados os recursos, ainda que deficitários. A família comumente é chamada, não com a intenção de identificar situações ou estabelecer cooperação, mas para remeter a ela o ônus da não aprendizagem, evitando questionamentos dos processos institucionais e estabelecimento de mudanças. A escola se “desresponsabiliza” da tarefa de programar ações ao aluno  visto como “não apto a escola”.

Rohde e Brenczik (1999, p.79) aduz que,

A escolha da escola para estas crianças é uma tarefa árdua e que deve ser muito bem-pesada. É fundamental que a escola tenha uma equipe de professores e orientadores educacionais que estejam familiarizados com conceitos básicos sobre o TDAH, ou que pelo menos, tenham interesse em discuti-los. Acima de tudo, é importante que a escola tenha disponibilidade para receber um aluno que poderá apresentar dificuldades de aprendizagem e ou de comportamento e para desenvolver um trabalho em equipe com os pais e com o profissional da área de saúde mental que irá trabalhar com criança e sua família.

Conceitos básicos do TDAH, ou o interesse em discuti-los são aspectos preponderantes da equipe de professores e orientadores educacionais de uma escola, a qual tenha fundamentalmente disponibilidade para receber um aluno com dificuldades de aprendizagem e comportamento, deve haver um trabalho em conjunto com os pais e com o profissional da área da saúde mental responsável pelo atendimento da criança e família. Escolas voltadas a um modo rígido e exclusivo para o resultado em termos de conteúdo podem não ser adequadas para o individuo portador do TDAH, portanto deve-se dar preferência a escolas que valorizem o desenvolvimento global da criança e que a avaliem individualmente, considerando os progressos ao longo do tempo do que a comparando rigidamente com a média dos colegas.

O professor é essencial na tarefa da aprendizagem e na saúde mental de crianças e adolescentes com TDAH (Rohde e Benczik, 1999). Ele deve ter o máximo de informações sobre o transtorno e deve lembrar de que o sucesso de qualquer estratégia no manejo destas crianças e adolescentes depende de uma boa relação e comunicação ente a escola e os pais. Ter conhecimento sobre dificuldades e distúrbios de aprendizagem pode ajudar o professor, já que estudos demonstram que o professor é o intermediário para a procura dos pais aos serviços de saúde, com queixas de distúrbios ou dificuldades de aprendizagem relatam Carvalho.

Douglas A Riley (2009, p. 141) mostra algumas atitudes que podem ajudar o professor frente ao aluno diagnosticado com TDAH:

Podem-se usar algumas técnicas sensatas com as crianças que tem TDAH e explodem em sala de aula. Primeiro, tenha certeza que estejam sentadas perto da lousa e longe dos motivos de distração visual, como janelas e entradas. Também certifique-se que sejam acomodadas longe dos colegas desagregadores ou com os quais não se entendem. Com menores, talvez se revele bastante positivo o professor anunciar que um aluno conseguiu prestar atenção ou comportar-se bem e pedir uma salva de palmas dos colegas. O professor também pode circular pela classe enquanto usa técnicas como bater de leve na carteira da criança para indicar que Lea deve tornar a concentrar-se. Se ficar evidente que a criança tem dificuldade com transições, pode usar uma técnica de contagem em que anuncia quantos minutos a turma ainda tem antes da troca de atividade.

Dada a complexidade e dificuldade do professor em sala, não é tarefa fácil atender o aluno com TDAH, na maioria das vezes este aluno necessita de atendimento especial pelo professor. A escola em sua proposta pedagógica deixa pouco espaço para implementação de qualquer estratégia nova e mais flexível, ainda o professor recebe alunos provenientes de famílias em que as questões do limite não são de modo adequado, isso impõe a dupla tarefa para o professor: ensinar e educar.

Algumas dicas de Rohde e Benczik (1999, p. 85) que,

·           Sente com a criança ou adolescente a sós e pergunte como ela acha que aprende melhor. Freqüentemente ela terá sugestões valiosas.

·           Lance mão de estratégias e recursos de ensino flexíveis até descobrir o estilo de aprendizagem do aluno. Isso irá ajudá-lo a atingir um nível de desempenho escolar mais satisfatório.

·           Encoraje uma estrutura para a auto-afirmarão e monetarização. A cada semana sente com a criança alguns minutos e dê-lhe um retorno sobre como ela está se saindo em sala de aula.

·           Crie um caderno “casa-escola-casa”. Isto é fundamental para melhorar a comunicação entre os pais e você.

·           Assinale e elogie os sucessos da criança tanto quanto for possível. Ela já convive com tantos fracassos que precisa de toda a estimulação positiva que puder obter.

·           Procure afixar as regras de funcionamento em sala de aula em lugar visível.

·           Lembre-se de que as regras e instruções devem ser breves e claras.

·           Sempre que possível transforme as tarefas em jogos. A motivação para a aprendizagem certamente aumentará.

·           Com adolescentes, estimule que ele tome nota dos pontos mais importante do conteúdo e do que estão pensando. Isso irá ajudá-lo a organizar-se melhor.

·           Escrever a mão é difícil para muito destas crianças. Considere a possibilidade de uso de alternativas, como a digitação no computador.

·           Elimine ou reduza a freqüência de testes cronometrados. Dificilmente na vida real, a criança terá que tomar decisões tão rápidas. Estes testes apenas reforçam a impulsividade destes alunos.

·           Avalie mais pela qualidade e menos pela quantidade das tarefas executadas. O importante é que os conceitos estejam sendo aprendidos.

(Segundo Basztabin 2007), a reflexão sobre o ensino-aprendizagem, percebe-se uma prática educacional ainda tecnicista, onde há professores com resistência em mudar seus paradigmas, ou seja, não vislumbram outras formas de atuação na educação que não sejam aquela tecnicista. (PERRENOUD 2002, p. 198) citado por (BASZTABIN, 2007, p. 31) relata que: “A postura reflexiva na identidade profissional dos professores leva-os a construir seus próprios procedimentos em função dos alunos, da prática, do ambiente, das parcerias e cooperações possíveis, dos recursos e limites próprios de cada instituição, dos obstáculos encontrados ou previsíveis.”

A conclusão do artigo de (CARVALHO, CRENITTE e CIASCA, 2007, p. 236) ressalta em uma pesquisa feita a 55 professores de escolas públicas:

Os resultados apontam que há um desconhecimento do professor quanto ao assunto distúrbio e dificuldade de aprendizagem e, as responsabilidades do fracasso escolar recaem sobre os agentes do processo: professor, aluno, por um lado às praticas pouco adequadas e, por outro, o esforço, insuficiente para alcançar o sucesso: aprender e passar de ano. Por esse motivo, é importante, ao professor, a vus Ca do conhecimento e repensar suas práticas pedagógicas.

2.1  A FAMILIA DO PORTADOR DE TDAH

A criança portadora de TDAH com hiperatividade muitas vezes é a ovelha negra da família, da mesma forma que é a ovelha negra da classe (PHELAN, 2005), vai desconcertar os pais, pois eles não conseguem entender o que  a motiva. A criança TDAH é a causadora dos problemas com os irmãos, é ciumenta pois percebe que os mesmos são mais amados do que ela. Um estudo mostrou segundo (PHELAN, 2005) que cada dez interações entre a criança com TDAH e seus pais, nove são negativas e apenas uma é positiva. A disciplina é quase sempre um problema, fator que diminui a auto-estima de qualquer pessoa e produz constantes irritações em todo ambiente doméstico e o surgimento da depressão.

Thomas W PHELAN (2005, p.39) ensina que,

[...] a primeira pessoa na família a ser esmagada pela existência de uma criança com TDAH não é a criança: é a mãe. A mãe recebe o choque do comportamento de um filho difícil. E, considerando que ainda vivemos em uma sociedade que culpa os pais por tudo que os filhos fazem, os pais – e, em especial, a mãe – estarão constantemente tentando descobrir o que deu errado com essa criança.

Quando averiguamos as crianças com TDAH, sem hiperatividade, percebe-se que estas ao contrário das hiperativas podem ter um temperamento bastante conciliatório e ser de fácil convivência, porém, na verdade são passivas demais, são desmotivadas e lentas para processar informações, são esquecidas, distraídas, e tem dificuldades para organização. Os pais têm que monitorar continuamente o pequeno sonhador. Pais extremamente organizados podem achar muito frustrantes ter um filho do tipo desatento, mesmo eles não sendo agitados e perturbadores.

Ainda segundo (PHELAN, 2005) o papel da família é fundamental no diagnóstico do TDAH, pois o treinamento dos pais e o aconselhamento de casais possam evitar que uma criança com TDAH progridam para um TDO (Transtorno Desafiador Opositivo) e desse para o TC (Transtorno de Conduta).

Os maiores problemas para os pais é fazer o filho TDAH estudar, mas o problema muitas vezes está neles, pois são comuns os pais que não se dedicaram aos estudos com afinco e querem que seus filhos sejam estudiosos e dêem muita importância ao estudo. Os adolescentes vão saber que os pais não estudaram com afinco, por meio de relatos contados sobre eles pelos próprios familiares. Assim não conseguem “enxergar” nenhuma conseqüência tão grave de não estudar, pois os pais são pessoas boas e freqüentemente os exemplos. É comum também que os pais estimulem a ler, estudar, mas quase sempre eles mesmos estudam alguma coisa (o que quer que seja) ou lêem um livro dentro de casa. Fica um tanto difícil convencer o filho assim.

Paulo Mattos (2011, p.112) explica que,

Muitas crianças precisam de ajuda para estudar. Elas é que devem escolher quem vai ajudar, se será um dos pais ou um profissional (explicador, professor particular). Aquele que for responsável por estudar com a criança não devera motivá-la a prestar menos atenção na aula contando que terá ajuda individual posteriormente. Ao ajudá-la, não devemos dar tudo “mastigadinho”. O responsável deve corrigir as tarefas, ajudar e orientar, mas não sem esforço por parte dela. A criança deve se esforçar antes e ser ajudada depois, ordem.

Pais que não tiveram a oportunidade de estudar em boas escolas se sentem decepcionados quando vir que seus filhos não desfrutam adequadamente quando a situação econômica é mais favorável e pode estudar numa escola melhor.

O tratamento precoce pode evitar o fracasso escolar afirma (PHELAN 2005), o aparecimento de uma ansiedade, depressão ou baixa auto-estima mais tarde. Devem ser analisados dois pontos de vista para o prognóstico: o da psicopatologia parental e o do poder da família.

Psicopatologia parental significa dizer que quanto mais bem integrados estiverem os pais, tanto no sentido emocional quanto no comportamental, melhor estará o filho. Muitas vezes é difícil mostrar isso, por duas razões: o estresse que o portador de TDAH cria e a questão biológica dos pais apresentarem os mesmos problemas psicológicos que os filhos.

Quanto ao poder da família que esta relacionada intimamente com a questão acima, mostra que pais saudáveis constituem famílias mais estáveis. A união familiar pode ajudar muito a criança se desenvolver normalmente.

O mais importante sinal do poder da família é a capacidade de compartilhar momentos de diversão, pois muitas vezes quando há uma criança com TDAH, estes momentos podem ser perigosos. A rivalidade entre irmãos é um dos fatores que pode arruinar um passeio. É certo que a família que brinca junta sempre será melhor. Os pais devem lembrar segundo (PHELAN, 2005) que alguns dos melhores momentos da família são aqueles vividos em duplas o filho portador de TDAH com um dos pais.

TDAH E ADOLESCÊNCIA

A administração de comportamentos de adolescente é uma tarefa difícil e se torna mais complicada ainda quando somado ao Transtorno de Déficit de Atenção. Todos os problemas resultantes do TDAH são redobrados com o surgimento da adolescência. A tensão nos relacionamentos aumenta e os pais precisam agir de modo firme sobre os problemas que são desencadeados, mesmo o adolescente não querendo. Geralmente existe uma defasagem de cerca de três anos em termos de maturidade comportamental e emocional entre o adolescente portador de TDAH e seus colegas relata.

Thomas W PHELAN (2005, p.166) explica que,

Você precisa saber lidar como o próximo movimento do adolescente. Ele, sem dúvida, vai colocá-lo colo à prova, usando um ou mais de seis tipos de testes e manipulações – aquelas manobras sorrateiras que os jovens usam para conseguir fazer as coisas do jeito deles. Dentre essas táticas “carinhosas” estão as de: Vencer pelo Cansaço, a Intimidação, as Ameaças, o Martírio, a Adulação e as Táticas Físicas. Sem que seja necessário colocá-la em palavras, sua mensagem para o adolescente será basicamente: ”Estou fora dessa discussão estúpida. O próximo lance é seu. Se você me deixar quieto, tudo bem. Se continuar a me incomodar, estou preparado para falar bobagens.

Os comportamentos do indivíduo com TDAH não são modificados com uma punição (castigo). Da mesma maneira que um adulto fala ao celular quando esta dirigindo, desliga quando vê o guarda de trânsito e volta a falar no aparelho quando o mesmo se mostra distante o individuo com TDAH age, ou seja, a punição só funciona quando o agente que pune está presente. Na ausência dos pais, o comportamento desejado do adolescente não se mantém. O monitoramento freqüente durante boa parte da adolescência é fundamental para que os estes portadores de TDAH se adaptem as regras que a sociedade impõe.

Tanto os pais quanto aos professores tem a tendência de advertir, irritar-se e castigar e os colegas também podem ir se afastando quando percebem que o individuo TDAH não espera a vez nos jogos, se intromete nos assuntos dos outros, e atrapalha a aula o tempo todo, dentre outras condutas.

A maioria das pessoas que convive com o portador não sabe diferenciar a incapacidade de fazer o correto com a falta de desejo de fazer correto. Deve-se ter como medida de avaliação o quanto ele se esforça para fazer alguma coisa e não o resultado final.

Ainda é preciso tomar cuidado com as drogas ao se falar do TDAH, a simples tomada de dizer não, pode salvar a vida de um TDAH no que tange à sua truculenta relação com as drogas, mas a realidade não é tão simples assim, pois há milhões de adolescentes usando drogas todos os dias em todo o mundo, pois a atração biológica e emocional pelas drogas é algo tão forte que conceituar os riscos da medicação pode ser muito complicado para o portador de TDAH que estão sofrendo física e emocionalmente com inquietação, impulsividade, baixa energia, vergonha, problemas de atenção e organização, e um alto índice de dor social causados pelo seu não tratamento. Portanto, pode-se dizer que é difícil dizer não as drogas quando se tem dificuldade em controlar os impulsos. Quanto mais cedo os adolescentes ou crianças com TDAH forem tratados, mais aptos estarão os profissionais a ajudá-los no trabalho de restringir ou eliminar o efeito da “automedicação”.

Ana Beatriz Barbosa Silva (2009,0p.179) aduz que,

O dependente se vê como uma estrutura estática e incapaz de realizar mudanças positiva a partir de si mesmo. Assim, compulsivamente, segue em direção à negação de suas fragilidades, por meio de substancias mágicas que lhe ofereçam mudanças rápidas e sem qualquer tipo de esforço auto-reflexivos. Semelhante a uma personalidade predisposta à dependência.[..]

Na adolescência o TDAH na faixa dos 13 aos 19 anos vai representar “uma adolescência a todo vapor e ao pé da letra”, nessa etapa muitas famílias já estão totalmente exaustas. Na vida estudantil a exaustão de estudar é predominante nos adolescentes do ensino médio. Com o olhar acadêmico verifica-se o atraso devido aos anos em que não conseguiram se concentrar o necessário para aprender o que deveriam. Enfrentar o ensino médio com essa base instável é um problema. A criança apesar de não falar já internalizou a imagem de que são “burras” e “preguiçosas”, poderá se formar, mas tudo terá seu preço relata (PHELAN, 2005).

A dificuldade de relacionamento com os colegas se agrava, a preocupação dos pais é de que o mesmo não faça amigos, mas pode acontecer de os pais não gostarem dos amigos ou raramente terem a oportunidade de conhecê-los. O adolescente TDAH mal sucedido pode começar a andar com o grupo dos “encrenqueiros”, ou seja, os que também não gostam dos professores e da escola, e dos familiares.

Mas nem tudo esta perdido para os adolescentes TDAH, pois muitos diminuem suavemente os sintomas à medida que vão envelhecendo. Outros conseguem se sair bem na escola e fizer faculdade. Alguns são admirados por seus amigos pela extroversão. Alguns se beneficiam da forma intensa de viver ao arranjar um trabalho. E muitos dos adolescentes com TDAH conseguem continuar deixando os pais desestabilizados.

TDAH NA ABORDAGEM PSICOPEDAGÓGICA.

De acordo com Oliver (2012) o psicopedagogo tem como papel principal identificar e tratar as principais dificuldades e transtornos de aprendizagem, seu campo de atuação refere-se a Saúde e Educação, onde fundamenta-se em áreas como a da Psicologia e Pedagogia, Neurologia, Fonoaudióloga, Psicomotricidade entre outros. O profissional vai analisa todo o processo de aprendizagem humana, deve detectar o que é normal e o que é patológico, norteando o paciente para o tratamento adequado e entendendo também a influência do meio, ou seja, família, escola e sociedade.

A Psicopedagogia Clinica é explicada por (Oliver 2012) que se utiliza de recursos como testes (EOCA – Entrevista Operatória Centrada na Aprendizagem, Provas Operatórias, entre outros) dentre outros métodos para diagnostico de causas e encaminhar o melhor tratamento para a dificuldade ou transtorno de aprendizagem.

Algumas linhas de raciocínio para a psicopedagogia: defende que o psicopedagogo deve utilizar recursos próprios da área, e outras acreditam no uso de outros métodos para enriquecer e até diminuir o tempo do tratamento, pois conta com mais recursos. A autora defende o uso de outros métodos e destaca a entrevista com os pais, o contato com a escola, análise de cadernos e toda a trajetória escolar, e outros meios que levem um diagnóstico preciso e um tratamento mais apropriado e rápido.

Lou de Olivier, (2010, p.15) aduz que,

Estudando (ou devendo estudar) todas as linhas descritas acima em Psicologia e Pedagogia, a Psicopedagogia deveria caminhar para o sucesso no diagnostico e no tratamento, não só dos distúrbios de aprendizagem mas também das falhas de memória, da concentração entre outros. No entanto, conforme veremos nos vários artigos e nas descrições deste livro, ainda há muito a caminhar. Espero estar colaborando para tornar este caminho mais curto e menos sofrido para o bem dos pacientes, dos alunos e para gloria dos psicopedagogos que vierem depois de mim...

As preocupações com os métodos que podem ser usados no diagnóstico e na intervenção psicopedagógica são reais na Psicopedagogia. Esta é uma área de estudo nova que tem como objetivo trabalhar com os indivíduos que apresentem problemas de aprendizagem. Ainda devem ser consideradas as experiências clínicas do profissional de saúde, onde apontam as conseqüências de ter um aluno hiperativo em sala de aula: estes indivíduos são rejeitados, sofrem discriminação e têm de aceitar o padrão de comportamento da escola tradicional.

Olivia Porto, (2011, p. 09), explica que,

Assim, nosso intento foi apresentar a analise do lugar de psicopedagogo, como profissional de saúde e educação, visando à intervenção, como vistas a buscar possíveis soluções dos problemas de aprendizagem dos alunos encaminhados pela escola. Historicamente, a psicopedagogia objetiva, no espaço do consultório, a assistência aos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem diante do baixo desempenho cognitivo. O presente trabalho analisa um programa de psicopedagogia, realizado em uma instituição pública, o Posto de Saúde. Conclui-se cabe ao psicopedagogo constituir o seu referencial profissional sempre em busca da teoria e da prática, seja na área de saúde ou da educação.

O ensino individualizado para o aluno TDA/H, ajuda-o a encontrar novas maneiras de aprender, já que não aprende menos, mas sim aprende a sua maneira, devem ser pesquisados quais os caminhos que ela terá mais facilidade de aprendizagem e criar meios e tragetórias pedagógicas que sejam mais adequadas a individualidade e especificidade deste aluno.

Para trabalhar com a sujeito portador de TDA/H é imprescindível entender suas angústias e seu problema, para a partir disso procurar possibilidades para sanar suas necessidades pedagógicas e psicopedagógicas.

 José, & Coelho, 1999 citados por Porto, (2011, p.51) explica que,

Segundo estudo sobre hiperatividade, há alguns objetivos para integrar a criança hiperativa, desatenta ou impulsiva no âmbito da escola e atender a suas necessidades; compreender suas ansiedades; conceituar o termo; indicar alternativas para o trabalho pedagógico e psicopedagógico com crianças hiperativas, desatentas ou impulsivas; conceituar o termo Distúrbio de Déficit de Atenção; apresentar dicas para ação prática pedagógica e psicopedagógica no âmbito escolar.

Para o tratamento de dificuldades escolares é fundamental a intervenção psicopedagógica que atua diretamente no problema de aprendizagem, abrangendo e desenvolvendo os aspectos que o  individuo não conseguiu apreender e trazendo para este novas informações pertinentes ao estudo e ao meio, orientando pais e professores para que possam atuar sobre ele. É preciso avaliar a forma individual de aprendizado e planejamento nas tarefas. A motricidade deve ser acompanhada para melhorar o desenvolvimento do sujeito.

Romeu Ritter dos Reis, (2009, p.7), aduz que,

Condições para que novas aprendizagens ocorram orientando pais e professores. É necessário um acompanhamento centrado na forma do aprendizado, como, por exemplo, nos aspectos ligados à organização e ao planejamento O trabalho do psicopedagogo é muito importante, pois auxilia, atuando diretamente sobre a dificuldade escolar apresentada pela criança, suprindo a defasagem, reforçando o conteúdo, possibilitando do tempo das atividades. O tratamento reeducativo psicomotor pode estar indicado para melhorar o controle do movimento.

Para (Rohde e Benczik, 1999) a intervenção psicopedagógica é primordial, pois cerca de 30 a 30% das crianças e adolescentes com TDAH apresentam problemas de aprendizagem secundários ou associados ao transtorno. Quando aos adolescentes deve-se ressaltar que a maioria é diagnosticada tardiamente. Um trabalho de reconstrução das habilidades e de conteúdos é abordado nas lacunas de aprendizagem que existem. O tratamento sintomatológico ou de reforço diferentemente do trabalho psicopedagógico não resolve as seqüelas de aprendizagem.

Considerações Finais

Este trabalho representa apenas uma pequena parte das indagações que o TDAH acarreta. Os profissionais psicólogos, psicopedagogose professores sabem que o problema quando deparado na questão prática requer muito mais do que a simples teoria, até mesmo porque existem várias contradições no próprio diagnóstico do sintoma e o trabalho avaliativo é uma constante não só individual do sujeito com o transtorno, mas no ambiental. Mas por mais que tenhamos que nos defrontar com peculiaridades da vida prática deste individuo em que a teoria não consegue abranger amplamente, o conhecimento de conceitos básicos fundamentais e os novos que venham a surgir são de obrigação ética para quem lida com estes alunos desatentos.

A origem do TDAH é hereditária em grande parte dos casos, ou seja, muitas vezes algum dos pais apresenta o problema, e se este sintoma geralmente ocorre com maior freqüência nos meninos, provavelmente o portador deste sintoma também vem a ser o pai e nestes casos a mãe acaba sendo a principal agente em  lidar com o problema de forma consciente, é ela que acompanha realmente o que acontece na escola e busca ajuda.

Os familiares apresentam resistência em reconhecer o problema, pois a maioria deles almeja um filho perfeito, e nesta ilusão acabam deixando de conhecer realmente o seu filho TDAH. Nos tempos de hoje os professores acabam convivendo muito mais com a criança e até mesmo conhecendo melhor o individuo do que os próprios pais são eles que percebem a gravidade do problema em sala e infelizmente custam a conseguir conscientizar os pais da importância de um tratamento.

Aglutinando o problema do TDAH com a adolescência, os problemas familiares, os problemas educacionais e administrativos de uma escola, a falta de conscientização, o estresse geral a solução; muitos chegam a dizer que a solução é quase uma missão impossível, mas não, o trabalho multidisciplinar eficiente freqüentemente gera resultados.

Cabe ao psicopedagogo ser o intermediário para a solução destes conflitos, em conjunto com os responsáveis pela criança, focando a melhora do individuo portador de transtorno. As dimensões a serem alcançadas são amplas, que dependem de humildade para reconhecer o que cada um está errando e promover as mudanças necessárias.

A crença no tratamento é outra etapa fundamental a ser salientada, pois se há falta de informação por agentes educativos e pais, quando há a informação é difícil de ser fazer a conscientização e promover um tratamento eficaz, especialmente quando a mãe acaba sendo a única responsável pelos problemas do filho.

A aprendizagem formal não é o suficiente para trabalhar este distúrbio de aprendizagem, o aluno com TDAH precisa de um trabalho diferenciado, individual e multidisciplinar. Em conjunto com o tratamento do neuropediatra, psicólogo, a ajuda e mudança de pais e às vezes até mesmo dos professores e por mais até da escola, o psicopedagogo buscará desenvolver os aspectos da aprendizagem que o individuo não consegue alcançar na escola, mas isso deverá ser feito considerando a individualidade de cada caso.

As palestras entre profissionais, professores e pais são as principais diretrizes para as futuras pesquisas. Na palestra realizada percebeu-se a grande dificuldade que os professores encontram ao lidar com estes alunos e seus familiares, exista a falta na escola de um psicólogo no setor pedagógico o qual possa trabalhar as angustias de pais e professores, pois os problemas comportamentais acabam sendo enormes o que muitas vezes foge da área de atuação do professor.

Os professores sentem necessidade de mais reuniões pedagógicas, onde os profissionais especializados em distúrbios de aprendizagem, psicólogos e psicopedagogos venham a esclarecer suas dúvidas e ajudar em possíveis intervenções, amenizando maiores conflitos futuros.

Assim como existe o setor pedagógico para atender os alunos, haveria de existir um setor para atender os professores, pois estes enfrentam salas de quarenta alunos, aonde chegam a existir cinco alunos TDAH na mesma sala. Neste caso o setor administrativo das escolas deverá buscar uma adequação para atender estes alunos e fornecer ferramentas para que os professores consigam atingir suas metas no trabalho de ensinar.

É nítido, que existe a falta de um verdadeiro diálogo sobre os temas expostos acima. As experiências em conjunto com a conscientização da teoria existente e da teoria que há de vir, poderá abrir verdadeiros caminhos para a ajuda do adolescente portador do TDAH que depende tanto da proteção dos profissionais de ensino.

O trabalho em equipe produzirá os melhores resultados, não basta somente o tratamento clínico, é preciso a participação, mudança e preparo de professores e familiares, o que infelizmente não anda ocorrendo no grau e freqüência necessário.


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Francieli Kureke

Psicóloga especialista em Psicopedagogia.
Atendimento de adultos e crianças. Avaliações Psicológicas e Psicopedagógicas. Palestras em instituições educacionais.

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