AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA PORTE DE ARMA DE FOGO E NEUROPSICOLOGIA

Autora: Francieli Kureke (Artigo de conclusão de curso de Pós-graduação em Neuropsicologia)

Neste artigo serão discutidas informações sobre avaliação psicológica para porte e posse de arma de fogo no Brasil e a inserção de processos neuropsicológicos dentro deste foco sob a ótica de artigos e livros pesquisados. Apesar destas avaliações serem bem mais complexas do que psicotécnicos para aptidão a direção veicular, ainda há muito a se investir no meio pesquisa, ciência e conscientização pública do tema, para a aplicabilidade ético-social. Farão juízo do discurso do artigo testes projetivos e expressivos de aplicabilidade restrita a psicólogos de acordo com as resoluções do Conselho Federal de Psicologia. Alguns testes psicológicos são chamados de testes neuropsicológicos, comumente por envolverem funções de execução do cérebro, memória e atenção, fatores mais cientificamente e publicamente observáveis via mapa cerebral, diferente quanto aos testes de personalidade, onde visualiza-se saúde mental do indivíduo e habilidades sociais. As investigações das baterias de testes ajudam a perceber problemas de aprendizagem e capacidade a serem diagnosticados e também encaminhados para tratamento quando necessário. Visto a importância inter e intrapessoal da mente, é indiscutível a credibilidade dos testes para a evolução da humanidade e segurança pública,  os termos executivos e fenomenológicos não são totalmente separáveis, a psicologia é uma ciência a qual deve inovar não somente na teoria dos processos mentais, mas em ações que estimulem a aplicabilidade e união com outras áreas, para o bem estar cognitivo e comportamental humano, diante de casos de coersão de forma ética pertinentes a segurança e educação pública, filtrando pessoas realmente capacitadas ao poder de decisão frente ao perigo. 

INTRODUÇÃO
A neuropsicologia se torna cada vez mais importante para a compreensão de aspectos comportamentais diante da aquisição de porte ou posse de arma, a forma de aprender, armazenar a informação, desde afetos, até a capacidades técnica, podem definir o poder de resiliência e julgamento do indivíduo frente a controlar as emoções e agir de forma racional.
Diante da demanda de avaliações para porte de arma de fogo e a pouca discussão no meio acadêmico e social, confirmou-se tal dificuldade ao notar conteúdos de neuropsicologia mais voltados a doença do que a melhora do potencial humano, pouca atenção é dada nos artigos científicos de neuropsicologia a pessoas dotadas de intelectualidade, proativas na sociedade, que tem de agir com inteligência em defesa a ordem e segurança pública, ou seja, pessoas que compram ou usam uma arma, em residência ou trabalho, motivadas a proteger o património frente ao perigo, estes em boa parte empresários, cidadãos ou cumprir com a ordem social, no caso de guardas, seguranças e policiais. Há também os que se utilizam da arma em esportes de tiro, sendo um risco também se não existe uma estabilidade emocional e cognitiva.
A aptidão ou não para o porte ou posse de arma é avaliada por psicólogos através de testes reconhecidos cientificamente, abordar o tema neuropsicologia dentro do contexto faz refletir e sugere a importância do crescimento da compreensão do introspectivo do avaliado, que nem sempre o percebe de forma consciente.
O objetivo geral deste trabalho é unir a importância dos conceitos dos testes aplicados em avaliação para porte de arma de fogo abordando a neuropsicologia. 
Os objetivos específicos são: Incentivar o trabalho conjunto da neuropsicologia para o desenvolvimento e bem estar humano. Formular uma reflexão para um melhor investimento em testes de maneira que o avaliado compreenda o papel da psicologia e da neuropsicologia para seu bem estar e segurança social. 
O artigo busca estimular os estudos diante de profissionais, sociedade, acadêmicos e órgãos públicos de psicologia referente da neuropsicologia dentro da psicologia já existente a ser aprimorada e valorizada conscientemente. Pesquisar inovações plausíveis e projetos diante dos avaliados de forma preventiva e remediativa no caso do avaliado não apto, sendo possível dependendo do caso uma reciclagem do mesmo, o qual pode ter sofrido acidente ou trauma grave, em casos de segurança pública, estes são mais suscetíveis a depressão, ansiedade e medo, que não só afeta só a memória e atenção do indivíduo, como também pões em risco sua qualidade de vida e de semelhantes a sua volta. Considerando que alguns aspectos agressivos e de dificuldades de atenção podem ser irreversíveis diante do resultado de alguns testes o trabalho do psicólogo em encaminhar para uma avaliação neurológica pode facilitar entendimento neuropsicológico do indivíduo, descartando uma dificuldade orgânica.  
A pesquisa bibliográfica apresentada foi baseada em artigos, sites e livros sobre  testes psicológicos que abrangem a neuropsicologia na avaliação psicológica para porte de arma de fogo, suas dificuldades e desafios frente ao bem estar do avaliado e o aprimoramento plausível do psicólogo para procedimentos mais abrangentes.

DESENVOLVIMENTO 
A avaliação psicológica na área de segurança pública é pautada não só por legislações específicas de cada esfera federal ou estadual de justiça, mas também por normas do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e por legislações pertinentes à avaliação psicológica na área que dispõe sobre o registro, a posse e a comercialização de armas de fogo no Brasil.
Complementando esses procedimentos, a Resolução nº 18 do CFP, de 9 de dezembro de 2008 (Resolução 18/2008), dispõe sobre a atuação do psicólogo na avaliação psicológica para concessão do registro de porte de arma de fogo, e em seu artigo 1º, cuja realização dessas avaliações é de competência privada e responsabilidade pessoal dos psicólogos que atendem às exigências dos órgãos públicos.
Segundo Rafalski e Andrade (2015), entre as características pessoais dos candidatos à avaliação psicológica do porte de arma que mais levam à opinião de psicólogos especialistas sobre a incapacidade para manuseio de arma estão Agressividade (citada por 11 psicólogos), Instabilidade (seis especialistas), Impulsividade (cinco especialistas), Características da depressão ( três especialistas) e ansiedade e pouca sociabilidade (dois especialistas). Ainda, de acordo com Pellini (2006) citado por Rafalski e Andrade (2015), os indicadores de imaturidade emocional referidos por esses sintomas são a principal causa de reprovação na avaliação do porte de arma.
A neurociência complementando o aspecto avaliativo e interventivo segundo Fontes e Fischer é um campo interdisciplinar, que relaciona o comportamento e a atividade cerebral, sendo um avanço seu estudo no decorrer dos séculos até hoje, dada o avanço do aparato tecnológico e médico-cientifico o que auxilia na investigação mais complexa da atividade cerebral. Os aspectos comportamentais dentro da avaliação abrangem o como as funções cognitivas interagem entre si, atenção, memória, linguagem, percepção e funções executivas.
O objetivo da avaliação psicológica para fins de emissão de licença de porte de arma de fogo é avaliar se uma determinada pessoa possui as características que se esperam para trabalhar com arma de fogo ou, no caso de civis, de possuí-la e utilizá-la (Resolução nº 018/2008; Resende, 2017 citado por Faiad e Alves, 2018). Os critérios normativos são definidos pela Polícia Federal por meio do Sistema Nacional de Armas (Sinarm).
Nestes aspectos de decisão, os psicólogos destacam Vieira, Fay e Silva (2007), da área da saúde mental devem ter boas qualificações e ferramentas. A utilização da avaliação psicológica em saúde psiquiátrica ou mental deve abranger os campos da investigação da personalidade e da neuropsicologia, e se esses aspectos envolvem o processo básico de atividade do sistema nervoso em condições normais e patológicas.
No diagnóstico e na avaliação psicológica, é necessário um processo complexo, que requer um trabalho abrangente de investigação no campo da biopsicossocial, correlação de eventos, esclarecimento e descoberta. 
A pesquisa brasileira que aborda o porte de arma e avaliação psicológica tem como foco pesquisas realizadas por meio de testes de personalidade de projeção. Silva, Duarte e Mariuza (1998) citaram apud Caneda e Teodoro 2010 trabalharam para investigar as escolhas profissionais inconscientes de policiais e o significado das armas como instrumento de trabalho. Usando uma forma simplificada do Teste de Apercepção Temática do sujeito (TAT), os autores constataram que as características ofensivas dos entrevistados foram úteis na escolha das atividades policiais o que também confirmou que a arma permite que eles expressem sua forma socialmente aprovada da agressividade.
Em situações mais complexas, o psicólogo deve ter o objetivo de implementar a avaliação neuropsicológica para identificar doenças de alto funcionamento causadas por alterações no cérebro que desencadeiam respostas comportamentais. No âmbito da saúde mental, este método de avaliação visa esclarecer a existência de certas patologias orgânicas que podem desencadear os sintomas de doenças específicas e investigar as alterações funcionais e estruturais das funções cognitivas causadas por patologias psicóticas.
Desde o início das pesquisas em psicometria, segundo Ortiz & Cols (2008, p.21), além da utilização de ferramentas neuropsicológicas adequadas (isto é, construídas para os seguintes fins), os testes neuropsicológicos foram gradativamente deixando de ser quantitativos, e voltaram-se a interpretação. Para melhor compreender o próprio processo cognitivo e /ou suas relações com as bases neurobiológicas, avaliou-se a função cognitiva, havendo tendência de atividades clínicas e estudos nacionais utilizando ferramentas psicológicas gerais no processo de diagnóstico neuropsicológico. 
Além das funções neuropsicológicas cognitivas, como atenção, concentração e memória, é importante lembrar que o indivíduo que manuseia uma arma de fogo precisa de habilidades psicológicas de saúde para demonstrar de acordo com a Instrução Normativa n. 78/2014 instituída pela Polícia Federal do Brasil: maturidade emocional, empatia, bom raciocínio lógico e habilidades de pensamento crítico na tomada de decisões, flexibilidade e adaptação, capacidade reservada para autocrítica, autoimagem valorizada, capacidade preservada de tolerar a frustração, equilíbrio e estabilidade emocional, autoestima preservada, forte tolerância ao estresse, boa capacidade de seguir regras sociais, honestidade, responsabilidade, bom controle sobre os impulsos.
Para Silva (1999) citado por Cambraia (2009), a atenção é a função cerebral responsável por selecionar os estímulos, representa o foco de maior interesse em um determinado momento, e é muito importante para completar uma determinada tarefa. Um sistema sequencial de uma série de estágios envolvendo diferentes sistemas cerebrais. Pode variar não só de pessoa para pessoa, mas também de acordo com as diferentes condições de cada pessoa (cansaço, depressão, etc.) e o estado de alerta.
As formas de processamento da informação são um elo intermediário que pode estabelecer uma conexão entre a disfunção (caracterizada pelo nível de comportamento avaliado) e a estrutura de pensamento do cérebro, Benedet (2002) citado por Ortiz & Cols (2008). Os aspectos de meta-diagnósticos da neuropsicologia vão além da aplicação automática de testes e resultados de pesquisas. O diagnóstico cognitivo - neuropsicológico utiliza dados da história clínica, observações do comportamento e resultados de testes neuropsicológicos para determinar o perfil das funções prejudicadas e preservadas. Os resultados do modelo cognitivo verificado são correlacionados com os dados anatômicos de testes de neuroimagem ou previamente descritos na literatura. A credibilidade do processo é garantida pelo planejamento quase experimental do estudo, comparando os resultados do paciente com os obtidos por controles pareados sociodemograficamente e comparando os perfis de desempenho de diferentes indivíduos.
A mente é um filtro através do qual a realidade pode ser visualizada. Ela foi programada na história evolutiva dos humanos ao regular a vida para enviar informações constantes. Conforme os primeiros humanos expandiram seu ambiente ecológico, foram as tribos, e não os indivíduos, que gradualmente determinaram o sucesso geral. Caçar, coletar alimentos, evitar plantas venenosas e animais perigosos, proteger-se de predadores e encontrar habitats adequados, essas atividades eram cada vez mais realizadas em grupos e exigiam muita interação. Os indivíduos mais bem preparados para esse tipo de vida cooperativa tendiam a sobreviver e transmitir seus genes. Isso tem um grande impacto no desenvolvimento do cérebro, e a cooperação sempre fez parte disso (Leahy, 2011).
A comunicação intrapessoal e as habilidades interpessoais sempre fizeram parte do bem-estar social. Habilidades sociais e autoconhecimento são necessários para entender como agir na frente dos outros. Mais especificamente, a área do cérebro que pode compreender outras mentes e agir diante delas é o córtex órbitofrontal, que é a parte superior do cérebro. Quando as pessoas prejudicam essa área do cérebro, muitas vezes perdem a capacidade de fazer julgamentos sociais, pois não sabem como interagir com outras pessoas (Leahy, 2011).
Ortiz & Cols (2008) citou as funções mentais de estudos de Pôppel (1993) que podem ser classificadas como materiais formais, que se referem a conteúdos mentais (emoções, sentimentos, memórias, intenções, etc.) e são representadas de forma modular no córtex cerebral, podendo ser isoladas em variáveis tipos de padrões de habilidades insuficientes e retida após lesões focais. Em um computador digital, a função material que dá sentido, corresponde ao endereço onde as informações são armazenadas.
Portanto, os eventos mentais são causados pela sincronização das oscilações dos fenômenos neuronais, e os fenômenos neuronais são integrados automaticamente até o limite superior de alguns segundos, o que constitui os chamados momentos psicológicos em obras clássicas. James (1989) é citado por Ortiz & Cols (2008).
Isquierdo (2018) aponta que os neurônios são o núcleo da memória, armazenando, evocando e regulando. O cérebro humano possui 80 bilhões de neurônios. Eles se comunicam entre si por meio de extensões na forma de sinais elétricos. Uma parte de um neurônio é chamada de axônio, se comunica com outro lado de outro neurônio é chamada de dentritos, e substâncias químicas são formadas nesta comunicação o que chamamos de neurotransmissores. Este processo entre as células nervosas chama-se sinapses. No lado dendrítico, cada neurotransmissor se ligará a uma proteína específica.
A passagem de informação entre áreas corticais adjacentes permite mecanismos cognitivos analíticos, tais como a linguagem. As conexões entre as áreas corticais distantes permitem que o cérebro funcione de maneira holística, incorporando elementos do contexto mais amplo, presente e passado, ao comportamento explica Rourke (1995) citado por Ortiz & Cols (2008).
O córtex pré-frontal constitui o pólo executivo do sistema e seus danos levam a sintomas psicóticos (Mega e Cummings, 1994; Ortiz, 2008). A reverberação de informações entre diferentes regiões corticais, como o tálamo, estriado dorsal e ventral, amígdala e estruturas subcorticais, dá ao sistema uma função de acesso aleatório ou memória de trabalho como um relógio de marca-passo, Poppel (1993 ) Falou sobre Ortiz & Cols (2008).
Em relação à localização dos aspectos relacionados à memória no cérebro, podemos citar os lobos temporais relacionados a vários tipos de memória de longo prazo, bem como eventos passados e os registros dos lobos pariental e frontal. A prevalência da memória de curto prazo está no lobo temporal medial. Uma estrutura muito importante para consolidar fatos, memórias de rostos e acontecimentos. Além de outras estruturas, o hipocampo é considerado "crítico", não só para integrar e controlar regiões, mas também para memória e outras funções cognitivas. (Bear, Connors e Paradiso, 2002, Leme et al., Citado em 2015). Nos primeiros minutos ou horas após a aquisição da memória, elas são suscetíveis à interferência de outra memória devido a uso de drogas psicotrópicas ou outros medicamentos com princípios psicoativos.
Devido à interação interna entre a memória e outras habilidades e características mentais, a memória é essencial para a experiência humana, como a escrita, porque a origem desta não foi apenas para a comunicação, mas também para reter informações para consultas posteriores. Nesse sentido, por ter a capacidade de registrar naturalmente as informações, a memória pode relembrar experiências, fatos, impressões, habilidades e hábitos previamente aprendidos e, portanto, tem se mostrado um mecanismo indispensável no processo de evolução humana. (Parkin, 2016 foi citado por Rabelo et al., 2020).
Nas décadas de 1950 e 1960, o estudo da memória na cadeia cognitiva fez um grande progresso. Os psicólogos cognitivos se inspiram na teoria S-R (estímulo-resposta), que trata a memória como um processo de codificação e decodificação da informação, e atribui a memória ao conceito de "capacidade limitada". (Gana, 1962, citado por Rueda e Sisto, 2007).
A capacidade de memória pode e deve ser considerada uma parte importante do funcionamento da nossa sociedade, e as atividades que a requerem, têm cada vez mais levado os humanos a criar métodos ou recursos para reduzir os esforços da prática de memorização. (Oliveira, 2007) Rabelo et al. , Citado em 2020.
Segundo Izquierdo (2018), memória significa aquisição, formação, conservação e evocação de informações. O acervo de memórias faz cada um ser o que é: um humano para o qual não existe outro idêntico, também se é o que se resolve esquecer, processo ativo na prática da memória. Os mecanismos que operam as placas do computador são a memória, até a história de um povo, cidade ou civilização.
Segundo Izquierdo (2018), memória refere-se à aquisição, formação, preservação e estimulação de informações. A coleção de memórias faz com que todos sejam eles próprios: cada pessoa é única, diferente, se caracteriza também pelo que decide esquecer, este é um processo ativo na prática da memória. O mecanismo de operação da placas do computador é a memória, até mesmo a construção da história de humanos, cidades ou civilizações.
Personalidade é uma síntese multifacetada de elementos estruturais e funcionais, emoções, sentimentos, emoções, tendências à depressão e ansiedade, por isso pode se refletir em várias categorias quantitativas e no mundo social e cultural do sujeito. O teste de Rocharschach pode ser usado para medir o valor médio de vários aspectos da medição e descrição da personalidade, citado em Weiner (páginas 499, 499), o mesmo se aplica ao Z-teste citado por Vaz (2016). 
O Z-teste (Zulleger) é considerado uma ferramenta útil para verificar o estado psicológico dos examinandos, como capacidade de desempenho, desempenho operacional, operação de raciocínio lógico, objetividade, controle geral, integração e relações interpessoais. A estrutura básica de desempenho implica responsabilidade pessoal e social que as ocupações e atividades exigem explica o autor do teste Vaz (2016).
Gonçalves e Gomes (2007), citados por Caneda e Teodoro (2012), mostraram os resultados no teste Zulliger (Z-teste) de um estudo com dois servidores públicos federais de 44 e 45 anos de nível superior, sem registros de psicopatologias, candidatos a porte de armas. Os resultados do teste mostram que os sujeitos têm dificuldade em compreender a situação geral, que pode ser o início de funções defensivas ou psicóticas. Resende, Rodrigues e Silva (2008) citados por Caneda e Teodoro (2012) confirmam que o uso de armas de fogo requer traços de personalidade, como controle de emoções, impulsividade e agressividade. Cabe averiguar que a adaptação à realidade e a adaptação social são necessárias, pois o abuso ao portar uma arma pode levar à morte de si ou de outrem.
CONCLUSÃO
Este artigo buscou refletir sobre aspectos psicológicos, neurológicos observados em testes para avaliação psicológica do porte de arma de fogo no Brasil, especialmente uma reflexão de atenção, memória e personalidade. A avaliação psicológica com enfoque na avaliação neuropsicológica, permite estimular uma visão mais abrangente para estimular o conhecimento do todo não só dos psicólogos como dos avaliados, já que a bateria de testes tanto projetivos, quanto expressivos devem focar também no histórico de vida social e orgânica do sujeito. Os testes devem se complementar para o diagnóstico do indivíduo quanto sua capacidade ou não, e a implicância social e profissional destes.  Neste contexto percebe-se a carência de discussões para ampliar o bem estar ético em fatores cognitivos, psicológicos, sociais visando a personalidade em união com o desenvolvimento do cérebro, a neuropsicologia. Cabe em determinadas circustâncias ao psicólogo encaminhar o avaliado com dificuldades ao neurologista ou psiquiatra em casos de percepção de um rebaixamento cognitivo, depressão severa ou estados alterados de agressividade, pois é preciso pensar sobre os efeitos sociais da reprovação do indivíduo e sua adequação ao que é correto a seu bem estar e das pessoas ao seu ambiente. Cabe ao psicólogo agir de acordo com a responsabilidade ético-academica, tonando este estudo sobre a relação do bem estar humano com a responsabilidade a segurança individual e pública. Assim como um carro a arma é perigosa, porém os incidentes em grande maioria advém de transtornos cognitivos e emocionais da mente do ser humano, reflexos da pessoa ou do ambiente que a pessoa vive. Desenvolver e divulgar este estudo pode trazer a consciência de se investir na educação social e individual, promovendo habilidades de julgamento assertivas diante da desestrutura social recorrente de discrepâncias sociais e culturais. A ciência deve ser flexível em agir diante da teoria, mas promover o bem estar e crescimento do todo. Órgãos e sociedade devem estar em dialogo com profissionais capacitados para promover as melhorias em capacitação humana evitando a necessidade de defesa e ataque através de armamento, mesmo que o indivíduo a possua. O neuropsicólogo pode unir o conhecimento do trato  perceptual ao orgânico fazendo ponte com a medicina e grupos responsáveis pela ordem e segurança. 
Percebe nos artigos pesquisados pouca referência  e feedback aos avaliados e intervenções, já que os resultados podem ser mutáveis diante de traumas e consequentes estados depressivos, cabe uma reflexão sobre o método e a conscientização da importância dos testes psicológico e neuropsicológicos no que tange a segurança pública no caso pesquisado sobre avaliação psicológica para porte de arma de fogo. 

 

 

 

 

 

 

 

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Francieli Kureke

Psicóloga especialista em Psicopedagogia.
Atendimento de adultos e crianças. Avaliações Psicológicas e Psicopedagógicas. Palestras em instituições educacionais.

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